Me aguarda em casa um miojo sem tempero. É ele quem vai emaranhar o meu estômago enquanto, minutos após chegar, sou observado pela retina display, pelo meu PC, por qualquer droga que pisque. Mais de 10 horas em frente a um monitor, e minha cabeça ficou tão cheia de nada que preciso de outro LCD para esvaziá-la. Queria escrever, ouvir (e escutar) música, improvisar meu cavaco, ler um livro. Mentira. Quero mesmo é que esta tela, que me retirou o prazer durante o dia inteiro, me devolva tudo de uma vez. Digito para satisfazer a fome e é quase imediato, mas o bem estar não dura um trago. O mesmo ofegar que exauriu o dia acelerou meu gozo. Prazer banal, só presta para que eu me preste. O miojo largado pela metade, a coca sem gás, o banho por tomar, a pornografia e os meus olhos semicerrados não aguentando a luz, que pisca em hipnose.
Eu pertenço à tela. Tão rápido ela me levou, que meu prazer só cabe no intervalo entre as linhas do monitor. Não desligo, hiberno.
Sem mais posts relexivos por aqui há tanto tempo… Cansou de nos capturar com suas desventuras saborosas?