Numa encruzilhada com tantas opções quanto a rosa dos ventos, meu estômago dobra de fome e temor. Não seguirei quase nenhuma, mas quero lambê-las todas. Desconfio de tudo, invejo, cobiço. Trinta e sete virgens-putas, metade do céu muçulmano, se esfregam no meu inferno gelado em Washington. Eu sou a trigésima oitava. Puta, claro.
Conforme arranco véus, me circula um medo intermitente. É este o caminho certo? Porque sei a resposta – não existe uma porra que se possa chamar “certo” -, a dúvida volta a me governar. Tome o leme que havia roubado de ti, parceira. Entro na trilha e volto. Hesito e corro, arrependo e, sem querer socorro, imolo. A angústia que me massacra, coitada, não conta que sou masoquista. Escrevo mentiras e nelas acredito; já duvido que a verdade tenha ficado guardada. Tenho ciúmes do que não é meu porque, afinal, talvez o seja. Uma gastura me corrói do fio da pele ao pó do osso.
Já faz tanto tempo. Depois de anos de certezas e paz, agora tenho indecisão, medo, cobiça, inveja, angústia, ciúmes, culpa.
Que delícia, estou vivo.